sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Vi um homem que olhava para as suas mãos pousadas. Sempre que levantava os olhos, estes brilhavam num pedido.
Vi uma mulher que se olhava ao espelho com vergonha que se notasse, e o guardava para depois o voltar a tirar. Incessantemente.
Vi uma criança no colo da mãe. Agarrada ao seu pescoço num sono tão descansado que só a inocência pode proporcionar.
Vi toda a gente com as suas transparências difíceis de não notar. Tão claros e sobrepostos que estavam. Uns através dos outros.
Vi-me a mim. Sentada a desejar que ninguém estivesse triste, ou a minha viagem acabaria ali.
Por vezes, a vida é insuportável.