quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Se dói, é sim. Se fere, é importante. Mas recusamos sentir, porque não queremos arquejar. Esses momentos passam, e um dia, cobertos de poeira, serão apenas aquele instante que nunca deixámos entrar. Porque era importante. Assim mesmo. Sem nome. 

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Poderei voltar a ser como fui durante anos a fio? De uma intocabilidade nata, quase feroz. No meu próprio lugar, a redoma que teci com uma verdade e habilidade invulgar. Dia após dia. Embora previsse, caminhar com a morte não é tarefa dócil. Nem impossível. Nem tampouco menos gratificante. É apenas admiravelmente improvável.

"Once the chaos subsides, we have to go back, take another look. We have to ask ourselves, ‘can this body be put back together?’ If we’ve done our jobs right, it can." 

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Os pensamentos abraçam os alvéolos. Por vezes de forma tão ágil e elástica, que formam pequenos grupos de cristais. Como amoras estranguladas. 
Nesse espaço de tempo e circuito, permitimo-nos viver. Em delírio, ou a saborear simples e lentamente o inequívoco encanto da carne. 

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Tenho tanta coisa, que trago em mim todas as cidades do mundo. Dialectos, aromas, sorrisos, e até entardeceres diferentes em colinas e falésias distintas. 
Como se tu me quisesses...

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Quando nos sentimos apoderados do imenso, queremos retratar, transpor, mas nunca será suficiente. Resta-me contemplar o fantástico e guardar em mim todos os delírios. Desordenadamente.
Tenho a alma e o sangue a ebulir de vida (e de vidas).
A minha existência, que já não era destilada, será a minha fatal distracção.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Nesta verdade que respira e exala, habitam segredos e descobertas ímpares.
Tomam, agudamente, formas de tal forma, que a partilha é premente. 
Gota a gota. 
Como me sabem as palavras deste esparso veneno.

domingo, 18 de maio de 2014

Se eu pudesse elevar as raízes da terra,
expô-las ao sol por esta grandeza,
poderia sentir com mais leveza
este pulsar dependente.
Soterrada, mas desperta.
Calada, mas não dormente.
Há dias de uma morte absolutamente sem nome.
A saudade tem som. Um som que se propaga, mesmo que fechemos os olhos.
Gradualmente insinua-se na nossa pele, no nosso contorno.
Ao abrirmos os olhos, ela sorri, pois não a vemos, mas fazemos a gentileza de a transportar. Ao colo, de preferência. Com um carinho e ternura silenciosos.
Em oposição.
Palavras. Sensações na ponta dos dedos, pressionadas e desvalorizadas.
Automaticamente.
A alma transformada num fundo branco, e a final contemplação do conjunto. 
Aniquilar a pressão é sempre compreensível e não carece de justificação

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Fico por momentos encantada à janela do meu quarto.
Tem vista para plantações de nenúfares 
e de tudo que eu quiser.
É isto o amor.