segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Se pudesse gravava-me uma memória.
Talvez na sombra mais recôndita da alma, para nunca mais me esquecer.
Nem dos tons, nem das luzes, nem da fantástica
irradiação da corrente sem fim.
Uma cheia inabalável, que flui e irá sempre ultrapassar-me.
Deito-me na penumbra, espalho o meu cabelo e vejo-me de fora.
Morna no contorno das pernas estendidas. O corpo ligeiramente arqueado, confortavelmente recortado pela luz da tarde.
Flutuo na saudade.
Flutuo na saudade.
Era a isto que eu chamava de vida.
Um misto de sangue e de ternura,
querer tanto e querer assim.
Eu não sabia como era,
mas nunca quis morrer já morta.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

E os dias ficaram longos como uma viagem sem destino
num auto-conhecimento fascinante.
Mil vidas que pudesse viver, escolheria esta.
Inequivocamente.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Sensifica o plano onde o meu e o teu corpo se reconhecem em quebras. Quebras de silêncio, de muros, que deitados por terra deixam que se queimem os sulcos. Por fases. Surpreendentes fases. 
Desagua sem limite.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Só tu trazes contigo os meus eternos e mais invulgares segredos. E serás sempre assim.

domingo, 20 de outubro de 2013

Trago-te essencialmente na cabeça. Uma forma de pensar - um código, conduta ou alquimia.
E entre dias e espaços no tempo, tenho-te na memória. Tão física, que me dói.


quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Dou por mim a pensar sobre frases que nunca escrevi. Momentos que não legendei. Por vezes não devemos escrever sobre eles. Ficam no encantamento dos ponteiros do tempo. Assim, a memória não nos atraiçoa, embora não nos liberte. Há momentos indizíveis. Tão grandes que não cabem nas palavras.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Faço por guardar, já com pó evidente, as palavras, porque de nada me servem. Resto eu, inteira, nua, crua e macia, ali deitada. Espero entender porque me abro, sabendo de antemão a resposta. Mas insisto, embora nunca tenha conseguido alcançar o teu alcance e apenas sei que a minha carne gosta de ser chamada de carne. Que a espantosa ternura que por ti me escorre, permanece. Sem conflito. Que este lugar onde me encontro, seria um matadouro de sonhos, mas eu fervo de realidade.
O meu tempo e a saudade são verdadeiros - tão intrínsecos, tão tangentes. 

Metade de mim, deseja-te. A outra metade, deseja-te e guarda-te com delicadeza sem te dobrar. 

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Abate, reduz e aniquila
ao ponto final, recta tangente,
que resiste em não resistir.
Dá-me os braços,
magoa-me, 
espreme os minutos e derrama-os
ao acaso, mas certeiro.
A omissão pode ser simplesmente perfeita

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Faz tanto tempo que a escrevi,
mas ao perdê-la, decorei-a profunda e solenemente
nas raízes desta alma.
Descrevi as complexas sensações do mundo e 
nela jurei unicidade e outros encantos.

És a mensagem que um dia escrevi.