quarta-feira, 20 de março de 2013

Por vezes, fujo na noite e apanho a estrada. Preciso de mim inteira, sem falhas.
Preciso de pensar, ausente do som familiar da minha casa, do meu chão e das minhas portas.
Preciso de me conhecer de novo como quem renova a pele.
Chego ao meu destino cheia de imagens, ideias, cheiros e sem mais, retorno.

A noite lembra-me de ti, assim como a estrada, as curvas, e a luz que se projecta 

terça-feira, 19 de março de 2013


Foste único sempre
desde que te soube e tu sabes
que a cadência é perfeita.
Um sempre vago e cheio de vida,
um sempre meu, diferente, mas válido,
um sempre tão verdadeiro quanto pode ser.
A consciência é absurda pois nunca poderei exprimir.
Só no olhar.
O meu único e inequívoco desencontro.

segunda-feira, 18 de março de 2013


Tudo em mim é inquieto, sanguíneo,
inexplicável, intolerável.
Não sei o que fazer contigo
que me inquietas a alma.
De morte.

domingo, 17 de março de 2013


Contigo seria perfeita em mares que nunca encontrei antes.
É tarde? Claro. É claro que sim. 
Tão claro como as minhas noites.

O sentido lato está aqui, tão presente quanto eu.
Não me cansarei de te dizer
que a tua descoberta me derruba e me satisfaz.
Tanto...
Um raro tu para mim.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Tens um qualquer segredo que o meu sangue não resiste.
Derrama-se incontrolável pelo meu corpo,
aquece-me ao trespassar-me com força,
e agarra os dias e as horas
como se contasse o tempo pelo tempo.

segunda-feira, 11 de março de 2013


Sobre nós o que posso escrever sem ser o que penso? Nada existe a não ser a impetuosidade da minha e da tua existência.
Os apontamentos passam por fases. Mínimas fases, pois a saudade salta-me das mãos para os olhos de quem me vê e mancha todas as folhas com cores, cheiros e texturas.
Construo com ela frases e textos deixando-me esvaziar lentamente. E por aqui fico.
Sem mais conseguir dizer e sem poder querer-te mais, porque o meu vazio está pleno, e o que não está, já não me pertence.

domingo, 10 de março de 2013

Tudo em mim, por ti, é envolvente, tempestuoso e suave
Já terei morrido antes que me peças para partir.

sábado, 9 de março de 2013


Se o chão me falta e eu vejo,
se agarro em chamas cadentes,
se nem a vontade se apaga,
estou viva.
Tão viva que me dói a pele.


sexta-feira, 8 de março de 2013


Se a minha alma vaguear
na linha dos horizontes e 
se despenhar a cada pulsação,
saberei punir-me e voltar a mim.
Sem mácula.
Se os dias fossem mais tenros, 
mansos e inefáveis,
saberia desencontrar-te melhor.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Desce comigo. 
Vamos ao centro da terra com o mesmo pensamento e propósito.
Devolvo-te depois. 
Logo depois,
vazia de mim porque em ti me entorno,
até ser urgente de novo.